A partir de um luto inominável, eis um livro de memórias sublime, nem trágico, nem elegíaco: transformador.
FINALISTA: National Book Award | Andrew Carnegie Medal for Excellence
UM DOS MELHORES LIVROS DO ANO: New York Times | Washington Post | New Yorker
«Escrever, ensinar, jardinar, ir ao supermercado, cozinhar, tratar da roupa — são atividades que, situando-se no tempo, não rivalizam com os meus filhos, porque eles se tornaram intemporais.»
Vincent morreu com 16 anos. James morreu com 19 anos. Num intervalo de sete anos, os dois filhos de Yiyun Li escolheram o suicídio, a meio caminho entre a escola e a casa de família. Tudo na natureza apenas continua é um testemunho delicado, revolucionário, que tem origem no «abismo», o novo habitat de uma escritora que escolhe professar a «aceitação radical» destas mortes trágicas.
Indefetível na eterna condição de mãe, eternamente ligada aos seus filhos, Yiyun Li faz germinar neste livro uma gramática só sua: austera, íntima, capaz de descrever uma das mais extremas experiências humanas, no ponto exato em que a linguagem costuma falhar. Num exercício literário inigualável, Yiyun Li fixa para sempre o lugar dos seus filhos no mundo, porque «não há agora e outrora, agora e mais tarde; só agora e agora e agora e agora», mas somente agora e agora e agora e agora», como um tempo que nunca termina, apesar da tragédia.
«Um livro de memórias distinto dos outros, estranho, profundo e ferozmente determinado a não virar a cara. […] Li confronta a perda dos seus filhos, mas também, ao procurar relatar uma angústia que desafia qualquer descrição, os limites da linguagem.»
TheNew York Times
«Este livro transforma-nos.»
The Observer
«Neste livro sobre a perda dos seus filhos, Li recusa o sentimentalismo; mesmo assim, o leitor pode sentir-se derrubado pela sua força emocional.»
The Guardian
«Um livro simultaneamente delicado e devastador. […] A terrível tragédia familiar que devastou Yiyun Li é contada de um modo sóbrio e a olhar o luto de frente, um pouco à maneira daquilo que Joan Didion conseguiu no inesquecível O ano do pensamento mágico.»
Carlos Vaz Marques
«Tudo na natureza apenas continua impõe um território literário raro e inquietante. […] Organiza se como um diário filosófico, por pequenos fragmentos que se encadeiam sem a finalidade de construir um percurso evolutivo ou teleológico típico de memórias de luto. […] Esse ritmo fragmentado e cíclico reflecte [...] também a experiência temporal de Li depois das mortes de Vincent e de James: a vida continua, mas parte dela permanece fora do tempo, suspensa pela dor incomensurável de perder dois filhos, experiências que não podem ser reconciliadas com finais consoladores. […] Li recusa explicar, interpretar ou moralizar o suicídio dos filhos. […] Tudo na natureza apenas continua não dá respostas fáceis, nem pretende curar. A proposta de Li é outra: permanece perto do real, quer vê-lo tal como é.»
Isabel Lucas, Público
«Yiyun Li é perfeitamente cirúrgica, cortante, objectiva, e é isto que engrandece o livro. […] Sem procurar comover, comove: eis ali a vida em força bruta, o sofrimento sem máscaras, sem sublinhados, sem pó de arroz […]. A escrita ordena o mundo, surgindo como uma forma de pensar ou de organizar a experiência sem a domesticar à ideia de controlo emocional. […] Ao invés de cair no buraco da sublimação emocional, do grito da dor, a autora permanece racional, analítica [...], e com isto constrói-se uma voz narrativa singular.»
Ana Bárbara Pedrosa, Observador